Transbordamentos.
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Essa é a metáfora do controle de estresse:Conta-se que, no século passado, a indústria pesqueira japonesa se viu com um problema: os peixes estavam cada vez mais distantes da costa. Era preciso, então, construir embarcações maiores e viajar por dias para ter acesso aos grandes cardumes para alimentar uma cultura que utiliza pescados como ingrediente básico de toda culinária.
Fernando Teles
As viagens foram realizadas e os peixes foram encontrados novamente, mas um novo desafio surgiu. Com os dias de viagem, o alimento já não estava mais fresco e deixava de ser atrativo às famílias japonesas. A solução foi construir navios ainda maiores e colocar tanques dentro dos contêineres para que os peixes chegassem vivos à costa. Não deu certo. Os peixes estavam frescos, mas o gosto não era dos melhores. Descobriu-se então que, nos tanques, com comida à vontade e sem predadores naturais, esses peixes ficavam parados, preguiçosos e inertes, o que impactava diretamente no sabor de sua carne.
Foi aí que decidiram colocar pequenos tubarões nesses tanques, para que os peixes se sentissem ameaçados e se movimentassem constantemente em busca de sobrevivência durante a viagem. Alguns poucos morriam no trajeto, mas a saúde dos peixes estava de volta.
Talvez seja interessante aprofundar nessa metáfora.
Ela me parece perfeita do ponto de vista da quantidade de estresse, mas não serve sobre a qualidade dos desafios que devemos buscar para melhorar a saúde.
Quanto a quantidade, seria razoável supor que se colocar um tubarão, ele comerá os de pouca saúde, reduzindo, por exemplo, a transmissão de doenças nos outros salmões e os estimulando a não ficarem preguiçosos, entediados e atrofiados.
Se por dois predadores, já se compromete o futuro, pois eles comerão os mais jovens.
Se por três, não chega ninguém no fim da viagem.
Nesse diapasão se revela um novo propósito inerente a todas as coisas que respiram: lutar pela vida, mas se possível, só com um tubarão.